domingo, 7 de abril de 2013
domingo, 24 de março de 2013
CITRINOS
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Da mão-de-Buda ao limão Lisboa, passando pela lima de Rangpur e a toranja ouro branco - há mais de 200 variedades de citrinos produzidos em Portugal, e o chef da Fortaleza do Guincho mostrou o que se pode fazer com cada um deles.
A mesa de jantar na sala da Fortaleza do Guincho tem uma longa fila do que, à vista desarmada, parecem ser laranjas e limões. Mas quando olhamos melhor começamos a aperceber-nos das diferenças de tamanhos e cores – alguns parecem miniaturas de laranjas, outros gigantescos limões disformes. Durante o jantar – a Sinfonia de Citrinos, preparada pelo chef Vincent Farges – vamos perceber também que este mundo não é apenas de cores e formas, é de cheiros e sabores.
Vincent sempre gostou de trabalhar com citrinos. Mas não imaginara que um dia teria à sua disposição em Portugal esta imensa variedade. Tudo começou depois de ter conhecido um produtor do Alentejo que é, como ele, um apaixonado por tudo o que é cítrico. Vincent partiu para a propriedade e perdeu-se entre as muitas árvores com os frutos mais variados. Raspou as cascas para sentir o cheiro, abriu-as para ver o interior, provou, comeu os fruto com casca, sem casca, com polpa, comeu até as folhas para saber quais teriam utilização culinária (fez, por exemplo, um azeite com as folhas da pêra cidra).
E depois escolheu uma parte das mais de 200 variedades que tinha à disposição e enfiou-se na sua cozinha na Fortaleza a fazer experiências. Foi aí que o encontrámos alguns dias antes do tal jantar. O menu já estava pensado, e Vincent dedicava-se às afinações finais. Mas teve tempo para nos dar uma aula sobre citrinos.
Veja-se por exemplo este pequeno, oval, de um verde um pouco escuro. Chamam-lhe o limão caviar e percebe-se porquê quando Vincent o abre ao meio e mostra que o interior se desfaz em pequenas bolinhas. "Para quê fazer esferificações?", pergunta o chef. O limão caviar é uma esferificação natural. Faz parte da família das limas selvagens australianas que crescem em arbustos espinhosos na Austrália ou na Papua. É uma fruta do Pacífico, mas, como se prova aqui, dá-se bem com o clima de Portugal.
Aliás, os citrinos – como se prova também pelas mais de 200 espécies que crescem hoje no Alentejo – sempre se deram bem em Portugal. Conta um pequeno livrinho que a Fortaleza do Guincho fez para acompanhar a refeição que as limas mediterrânicas foram classificadas no século XVIII em Montemor-o-Novo como o melhor fruto do reino português.
É difícil traçar com exactidão a história dos citrinos, mas sabe-se que vieram originalmente do Sudeste asiático e que se espalharam primeiro pela China e depois pelo Médio Oriente, o Mediterrâneo, e, muito mais tarde, chegaram à América, onde a Califórnia é hoje um dos grandes produtores mundiais. Mas, durante séculos, o que existia era essencialmente a laranja amarga, fruto mais usado pelo seu cheiro perfumado do que pelo gosto.
Conta-se que terão sido os portugueses a trazer a laranja doce para a Europa – daí que, em árabe, a palavra laranja tenha um som parecido com a palavra portugal. E há também o chamado limão Lisboa, que terá estado na origem das variedades comerciais de limão.
O facto é que os citrinos se espalharam rapidamente pelo mundo e surgiram centenas de híbridos e variedades. Vincent Farges, que conhece bem Marrocos, já tinha tido ocasião de aprender como é que os citrinos são usados na cozinha do Norte de África, por exemplo, que terá também influenciado Portugal. Mas esta história de influências mútuas é um novelo que dificilmente conseguiremos desenrolar, por isso o melhor é olhar para os frutos que Vincent nos mostra e aprender mais coisas.
O mais vistoso é, sem dúvida, a mão-de-Buda, com os seus dedos amarelos espetados. Raro, chega a custar 50 euros a peça em França, conta Vincent. Não se sabe por que se desenvolveu assim, mas sabe-se que não tem sumo, o interior é unicamente polpa, o que, na opinião do chef, não impede de forma nenhuma a sua utilização. Há muito que se pode fazer com as polpas mais carnudas de alguns citrinos, o importante é perceber a consistência delas e usar apenas as que são firmes, evitando as esponjosas.
“Estes são só alguns, ainda vão chegar mais”, diz Vincent, sorridente, apresentando um limequat, um híbrido entre a lima e o kumquat (estes são pequenos frutos com sumo azedo mas casca doce e fina, que podem ser comidos directamente da árvore, com casca, e que, segundo o livrinho da Fortaleza, dão-se muito bem em Portugal, onde o Inverno ameno ajuda a uma maturação perfeita). Os kumquat hão-de aparecer mesmo no final do jantar, a acompanhar os chocolates.
Depois há os híbridos japoneses que também crescem bem em Portugal. É o caso do yuzu, um limão asiático com sabor a tangerina que Vincent utiliza frequentemente, ou o sudachi e o kabosu, que combinam muito bem com peixe ou carne de porco grelhada. E ainda a extraordinária lima kaffir ou combava, muito verde e enrugada, como um pequeno cérebro de extraterrestre. Vincent vai usá-la numa das entradas do jantar: lingueirão da Ria Formosa, caldo perfumado com combava. Na mesma linha de cruzamento entre sabores do mar e citrinos, apresenta ostras da Ria Formosa na sua água perfumada com bergamota.
E a bergamota é um caso especial. De todos os citrinos que provámos na cozinha da Fortaleza (e depois no jantar), a bergamota é aquele que melhor reconhecemos pelo perfume extraordinário que tem (é, aliás, usada para água de colónia e para o chá Earl Grey). Apesar de ser um híbrido famoso, foi produzido apenas na Calábria, em Itália, e só recentemente passou a ser produzido em Portugal, que hoje é o único país mediterrânico, para além de Itália, a ter bergamotas em campo aberto. “É muito rico em óleos essenciais”, sublinha Vincent, explicando que esses óleos estão nas cascas.
E continuamos a viagem pelo jardim dos citrinos. Há ali um que parece uma clementina mas é uma lima de Rangpur, indiana – Vincent usa-a para marinar as vieiras, que vai servir com um puré de funcho com citronela. Do cruzamento desta lima de Rangpur com a japonesa scheekwasha surge um híbrido, a pursha, que é geralmente utilizado verde em bebidas alcoólicas ou sobre peixe grelhado.
E aparece a toranja, a que chamam ouro branco da Califórnia – essa chegará na sobremesa, ao lado da star ruby com a sua polpa rosa, servidas com um creme glacé de Cointreau. Da família dos pomelos (que não devem ser confundidos com o híbrido americano que é a toranja) vem o butan hirado, um fruto grande e pesado, de tal forma que a árvore de onde veio só deu dois. E temos ainda a quimera de laranja, um híbrido entre o limão e a laranja, amarelo por fora, laranja por dentro.
E tantos, tantos outros que já não conseguimos tomar nota e tentar encontrar palavras para descrever as subtis diferenças de sabor. No jantar – que será todo acompanhado pelos vinhos algarvios da Quinta do Barranco Longo, um dos quais feito propositadamente para a ocasião – Vincent mostrará a arte de combinar cada um destes sabores com ingredientes diferentes, do lavagante assado com pomelos Chandler ao filete de peixe-galo assado com folhas de limão Maçã de Adão (que pode ser o citrino mais antigo de que há registo), puré leve de mão-de-buda, raiz de cerefólio salteado e limão amalfitano assado. No final, saímos a mordiscar um kumquat.
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Fonte do texto: Jornal Público on-line
segunda-feira, 11 de março de 2013
sábado, 2 de março de 2013
domingo, 24 de fevereiro de 2013
terça-feira, 12 de fevereiro de 2013
FETO REAL
«Alguns fetos conseguem propagar-se vegetativamente
(assexuadamente) por meio de rizomas ou bolbinhos produzidos nas folhas, mas a
propagação faz-se, em geral, por meio de esporos formados nos esporângios. Na
maior parte das espécies, estes são bem visíveis durante a época de reprodução
(de coloração amarela, alaranjada, castanha ou cinzenta, distinguem-se bem do
verde da planta), mas é preciso virar a página para os encontrar: estão
situados na face inferior das folhas (podendo também surgir nas axilas ou nos
vértices). Noutras, surgem em folhas férteis distintas das restantes, como
acontece com o feto-real (Osmunda regalis),
que possui folhas externas estéreis e internas com parte terminal fértil de cor
vermelho-acastanhado, pelo que também é conhecido por “feto-florido”.
Distribui-se por quase todo o país, em zonas húmidas (preferencialmente
acidófilas): margens dos cursos de água, fendas de rochas e bosques caducifólias.»
Jorge Nunes, artigo “Fetos – Plantas muito primitivas”, pág.
42 a 49,
Revista Super Interessante (Portugal), n.º 176, Dezembro 2012.
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013
ÁRVORES CLASSIFICADAS - Decreto-lei n.° 28:468 | 1938
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MINISTÉRIO
DAS FINANÇAS
Direcção
Geral Fazenda Pública
Decreto-lei
n.° 28:468
Assente que os
monumentos nacionais e os imóveis de interêsse público carecem de ambiente para realce
da própria beleza e das suas linhas arquitectónicas, em vários diplomas promulgados
têm sido incluídas disposições tendentes a evitar que à sua volta se levantem
construções que os aviltem ou prejudiquem a dignidade dos seus contornos.
Não podem ser
consideradas injustificadas as medidas de defesa do património artístico e histórico da Nação,
nem se ignoram os resultados obtidos da firme e criteriosa execução das medidas
referidas, nomeadamente nos últimos anos, em que, sob o impulso da Revolução
Nacional, se deu desenvolvimento de vulto à obra de conservação e
reconstrução de tantos dos nossos principais monumentos.
Todavia para outro
aspecto do interessante problema tem sido chamada a atenção do Govêrno: é que há
necessidade de novas medidas que abranjam a defesa e protecção das manchas de arvoredo.
Com efeito, o arvoredo, que constitue interessante moldura decorativa dos
monumentos arquitectónicos e valoriza grandemente as païsagens, é por vezes impiedosamente
sacrificado, sendo de esperar que a protecção que lhe fôr dada pelo Estado
frutifique e seja seguida pelos particulares.
Por êste motivo devem
proteger-se todos os arranjos florestais e de jardins de interesse artístico ou
histórico, e bem assim os exemplares isolados de espécies vegetais que pelo seu
porte, idade ou raridade se recomendem a cuidadosa conservação.
Dêste modo não só se
afirma por êles respeito, como se organizam os meios de defesa desta parte do nosso
património representado na paisagem, na arquitectura dos jardins e na majestade das
velhas árvores.
Estas providências,
apesar de impostas principalmente por motivos de ordem estética, vão contribuir para
aumentar o património moral da Nação.
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Usando da faculdade
conferida pela 2.ª parte do n.° 2.º do artigo 109.° da Constituição, o Governo decreta e
eu promulgo, para valer como lei, o seguinte:
Artigo
1.° O arranjo, incluindo o corte e a derrama das árvores em jardins,
parques, matas ou manchas de arvoredo existentes nas zonas de protecção
de monumentos nacionais, edifícios de interesse público ou edifícios do
Estado de reconhecido valor arquitectónico,
definidas nos termos do decreto com força de lei n.° 20: 985, de 7 de Março de 1932, e no
decreto n.° 21: 875, de 18 de Novembro de 1932, respectivamente, fica sujeito a
autorização prévia da Direcção Geral da Fazenda Pública, ouvidas as indicações de ordem
técnica das Direcções Gerais dos Edifícios e Monumentos Nacionais e dos
Serviços Florestais e Aqüícolas e parecer da Junta Nacional de Educação (6.ª
secção).
§ único.
Consideram-se abrangidos, para todos os efeitos, pelo disposto neste artigo os exemplares isolados
de espécies vegetais que, pelo seu porte, pelo seu desenho, pela sua idade ou
raridade, a Direcção Geral dos Serviços Florestais e Aqüícolas classifique de interesse público.
Art.
2.º Os pedidos de autorização serão instruídos com uma fotografia
local onde se pretende executar o trabalho e o esquema dêste, podendo a
Direcção Geral da Fazenda Pública exigir outros elementos. Os pedidos
serão despachados no prazo máximo de sessenta dias, salvo se fôr
necessária alguma diligência demorada, do que se dará conhecimento aos
interessados.
Art.
3.° As despesas a que derem lugar as diligências indispensáveis para a
resolução do pedido de autorização serão de conta do indivíduo ou
entidade requerente, que fará preparo da importância provável da
referida despesa.
Art.
4.° Uma vez concedida a autorização para a execução dos trabalhos
previstos no artigo 1.°, os responsáveis têm o prazo de sessenta dias, a
contar da recepção do aviso pelo correio, para lhes dar início. No caso
contrário e ainda no de paralisarem ou demorarem a obra, haverá lugar a
multa, até 1.000$, salvo motivo que a Direcção Geral da Fazenda Pública julgue
atendível.
§ único. A obra fica
sob a superintendência técnica da direcção geral que tiver sido consultada e que a
fará fiscalizar.
Art.
5.° Incumbe à Direcção Geral da Fazenda Pública promover, por
intermédio do agente do Ministério Público que fôr o competente, o
embargo de obra nova dos trabalhos previstos no artigo 1.º iniciados sem
autorização e a conseqüente acção, assim como lhe incumbe promover a
demolição da obra que fôr executada sem essa autorização ou fora dos
termos em que foi concedida, a reposição das cousas no seu estado anterior e a
indemnização que possa competir. No caso de corte ou derrama de árvores, ao
responsável será aplicada uma multa pela Direcção Geral da Fazenda Pública,
não inferior a cinco vezes o valor da árvore ou da derrama, multa
cobrada coercivamente pelo processo das execuções fiscais.
Art.
6.° Independentemente da iniciativa dos interessados na execução dos
trabalhos previstosno artigo 1.º e regulada no artigo 3.°, a Direcção Geral da
Fazenda Pública, ouvidas asindicações de ordem técnica das Direcções Gerais dos
Edifícios e MonumentosNacionais e dos Serviços Florestais e Aqüícolas, e a da
Junta Nacional de Educação (6.ª secção), pode notificá-los para
realizarem, no prazo que lhes fôr fixado, a obra que se tornar
indispensável, anàlogamente ao disposto no artigo 44.° do decreto com força de
lei n.º 20:985, de 7 de Março de 1932, e seus parágrafos.
§ único. Terá
aplicação aos proprietários abrangidos pelas disposições dêste, decreto-lei a doutrina do artigo
6.° do decreto com fôrça de lei n.° 21:875.
Art.
7.° O Estado, por intermédio da Direcção Geral da Fazenda Pública,
pode optar na venda, quer particular, quer judicial, dos bens abrangidos
pelo disposto no artigo 1.° e seu parágrafo.
Art. 8º As disposições do decreto com fôrça de lei n.º 20:985 de 7 de Março de 1932, e do decreto-lei n.º 21:875, de 18 de Novembro de 1932, consideram-se matéria subsidiária dêste, decreto de lei.
Art.
10.° O Ministro das Finanças resolverá por despacho as dúvidas que a
execução deste Decreto-lei suscitar e a Direcção Geral da Fazenda
Pública, ouvidas as Direcções Gerais dos Edifícios e Monumentos
Nacionais e dos Serviços Florestais e Aqüícolas, expedirá as instruções
indispensáveis para êste fim.
Publique-se e
cumpra-se como nêle se contém.
Paços do Govêrno da República, 15 de Fevereiro de 1938. - ANTÓNIO ÓSCAR DE FRAGOSO CARMONA - António de Oliveira Salazar - Mário Pais de Sousa-Manuel Rodrigues Júnior - Manuel Ortins de Bettencourt - Joaquim José de Andrade e Silva Abranches-Francisco José Vieira Machado - António Faria Carneiro Pacheco - João Pinto da Costa Leite - Rafael da Silva Neves Duque.
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Absolutamente impressionante a qualidade da escrita e o vanguardismo deste documento.
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Absolutamente impressionante a qualidade da escrita e o vanguardismo deste documento.
quarta-feira, 23 de janeiro de 2013
SEALANDER
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It may be a caravan, but it’s no ordinary caravan! We just had to
feature the Sealander, as it looks like a brilliant idea (someone set up a hire
company now).
“Enjoy your free time with the SEALANDER, an innovative mobile home with
amphibian characteristics. Just hitch the SEALANDER up and go. Enjoy an
unrestricted ride, for when you arrive ashore the journey hasn’t ended, it has
only just begun”.
Thanks to the integrated waterproof chassis the SEALANDER can be let
into water without need of a boat slip or trailer system. The width of the
lower shell provides stability and a secure position on water. Because of the
modest draught you can explore even shallow waters. The low-emission electric
motor permits license free access to most inland waters. The rechargeable
battery of the outboard engine also supplies electricity to the interior living
area and can easily be recharged from the towing vehicle during the journey on
land.
In just one step the tarpaulin roof can be converted into an open top,
closed again with press studs or removed completely. Then you are free to
sunbathe, watch the stars, listen to the birds in the morning hours or cast a
line; no matter whether on land or on water.
The opening of the broad entrance hatch is supported by two hydraulic cylinders.
When opened the entrance area remains covered with sufficient headroom to
enable comfortable use of the cooking and washing-up unit.
As a result of the intelligent design of the interior the small surface
area can be put to optimal use. The interior equipment can be adjusted or
removed completely according to your requirements and the seating converted
into a spacious sleeping area. The cooking and washing-up unit are located in
front of the seating area together with the cooler and the heater.
The patented lever bar system located on the foredeck combines easy
handling with numerous possible uses. To ensure a stable position on land the
hitch can be placed upon the lowered bars, replacing the support wheel normally
used with trailers. Now the horizontal bar serves as a step when entering the
deck.
Whilst on water the bars are folded upwards and stabilized. They then
function as a railing at the front of the boat providing stability and
protection.
When going swimming the bars can be folded downwards and extended to be
used as a ladder into the water.
Tech Spec
Overall length 389cm
Length without shaft 356cm
Width 160cm
Height 185cm
Weight 380kg
domingo, 13 de janeiro de 2013
13 - JARDIM MODERNISTA NA FOZ – PORTO
Nas imagens um raro espaço público na cidade do Porto (Foz –
Rua de Cadouços) de configurações fortemente marcadas pelo modernismo
português, provavelmente construído entre 1960 e 1970.
Apesar de relativamente pequeno, este jardim apresenta um curioso
jogo de linhas paralelas, perpendiculares e outras oblíquas, cujo efeito é
muito interessante. A adaptação do espaço à topografia da envolvente e as grandes
superfícies planas, revelam mestria.
Como é regra nas construções deste período, os materiais
utilizados são de grande qualidade, durabilidade e com um desenho que confere
uma certa intemporalidade.
Em tempos existiu um parque infantil, que era muito
frequentado, desconheço se faria parte da configuração inicial.
A título de curiosidade, refira-se que por debaixo deste
espaço existe um posto de transformação subterrâneo da EDP, magnificamente
dissimulado, cujos únicos vestígios à superfície são dois elementos metálicos
de cor verde, de ventilação, que considero terem um desenho muito bem conseguido.
segunda-feira, 7 de janeiro de 2013
ARQUITECTURA MODERNA PORTUGUESA EM ÁFRICA
Moçambique, 1952
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Nos Trópicos sem Le Corbusier, novo livro de Ana Vaz Milheiro, é retratada a arquitectura colonial pública, que junta técnicas essenciais às condições meteorológicas e elementos que remetem para a metrópole, conferindo aos edifícios uma certa portugalidade nos territórios ultramarinos.
Ana Vaz Milheiro reúne, neste livro, textos resultantes das suas investigações que começam no seu doutoramento, na Universidade de São Paulo, e que escreveu entre 2007 e 2011, para encontros internacionais ou conferências onde era oradora. “Muitos ficavam lá nas actas brasileiras e, às vezes, aqui não tinham circulação. Isto foi também um pouco para as pessoas poderem consultá-los”, disse crítica de arquitectura do PÚBLICO.
“É uma grande contribuição”, afirmou Mónica Junqueira de Camargo, sua amiga e professora na Universidade de São Paulo, na apresentação do livro que teve lugar no colóquio internacional "Portugal – Brasil – África: Urbanismo e Arquitectura", que decorreu na Universidade Autónoma de Lisboa: “Ana faz-nos aproximar dessa realidade [colónias ultramarinas] através da articulação entre os textos e as imagens”. Walter Rossa, autor do prefácio do livro, destacou a importância das colectâneas: para os autores que conseguem ordenar e até complementar algumas das suas ideias e para os universitários que têm uma base de estudo e textos que às vezes estão perdidos.
Como surge o interesse pela arquitectura colonial neste período específico, no Estado Novo?
Há muitos trabalhos na área da arquitectura moderna, tem-se valorizado a produção de matriz portuguesa, principalmente em África. E a arquitectura de representação nacional, aquela que está nos equipamentos públicos, nos hospitais, nos liceus, nas câmaras municipais, nos palácios do governo - por ser conotada com o poder colonial e com o poder político, tem-se olhado menos para ela.
Quando comecei a pensar estudar arquitectura africana, pareceu-me que era muito interessante começarmos por essa arquitectura de promoção pública. Porque a relação aqui é estabelecer uma afectividade entre o espaço que passa a ser também Portugal - deixa de ser colonial e passa a ser ultramarino, um Portugal fora da Europa - e Lisboa. Há uma necessidade de recordar que estamos em Portugal e a arquitectura sempre foi de regime, mesmo a arquitectura moderna, porque a arquitectura é sempre promovida por um regime político e, portanto, serve-o.
O outro ponto era perceber, mas só no decorrer do trabalho é que o compreendi, qual é que era a escala efectiva desta produção em termos de concretização, ou seja: Portugal nos anos 50 é um país subdesenvolvido, com imensos problemas internamente, basta ver o inquérito à arquitectura portuguesa que os arquitectos fazem em 54 para perceber que as imagens são de extrema pobreza, de miséria económica, social. E, como é que um país pobre, atrasado desenvolve, em paralelo, um esforço de instalação num território fora do seu perímetro, dentro de um quadro político internacional que lhe é hostil?
Portugal rural de Salazar é um Portugal que nas colónias se transforma num Portugal urbano. Os planos, as avenidas, os equipamentos: há uma espécie de projecto megalómano de que a arquitectura e o urbanismo são entidades catalisadoras. Isto também é uma experiência única, porque em 50 começam os processos de independência dos outros países e nós mantemos o nosso império colonial até 74. Nós temos uma experiência que não há nos outros países e nas outras potências colonizadoras, também isso é uma história completamente única e invulgar, uma vez mais idiossincrática como é a história portuguesa.
É muito difícil encontrar qualidades num edifício que tem um peso, que evoca um poder político e pouco favorável. Portanto, a história tinha passado completamente ao lado desses processos. Com isso, Angola e Moçambique eram muito estudados porque a arquitectura moderna é dominante. Os outros três países africanos ficavam de fora porque depois não têm essa produção moderna, só têm esta outra, ou têm-na em maior número.
Este trabalho permitiu perceber também que a evolução das culturas arquitectónicas na África que também fala português – se em Angola e Moçambique é de facto no sentido desse projecto moderno – em S. Tomé e Príncipe, na Guiné-Bissau e em Cabo Verde vai ser no sentido de uma maior proximidade com a cultura metropolitana.
Como se desenrolou o processo desta narrativa?
A questão que me interessava era perceber como é que essa arquitectura surgia. Depois havia a felicidade de estes projectos estarem em Lisboa, porque estão no Arquivo Histórico Ultramarino, a maioria deles, outros no centro de documentação do Instituto Português de Apoio ao Desenvolvimento (IPAD) e portanto eu podia ter um primeiro acesso aos desenhos e aos projectos. Comecei por aí, em 2008: a abrir caixas, a ver os desenhos e depois comecei a pesquisar bibliografia, a ver na net, se os edifícios que estavam naqueles desenhos tinham sido concretizados e se ainda estavam em uso.
E depois é que começámos a estabelecer as autorias dos arquitectos. As pessoas diziam: “Palácio do governo de Bissau, quem fez?”, ninguém sabia. “Ah, é uma coisa do Gabinete de Urbanização Colonial”, mas quem efectivamente é que desenhou? O que nós chegámos à conclusão também é que este organismo que estava sediado em Lisboa e que fazia esta arquitectura de representação também tinha várias faces porque teve vários arquitectos e iam mudando, iam aplicando um pouco mais as suas ideias e não era uma produção tão homogénea como poderia parecer. Embora seja um sinal reconhecível, há uma familiaridade entre a produção que, depois com um olhar mais treinado, a gente já consegue, às vezes, reconhecer.
Os elementos da arquitectura moderna surgem por influência da experiência brasileira?
É inegável que o Brasil, ao fazer uma reconversão dos valores da arquitectura moderna de via corbusiana numa arquitectura adaptada aos trópicos, criou uma matriz que era muito fácil de reproduzir em ambientes de condições climatéricas idênticas. Mas a experiência não é só brasileira. Nós é que, como temos uma afectividade muito forte com o Brasil, tendemos a ler esses sinais brasileiros. Na verdade, quando se percorre um bocadinho mais a fundo, percebe-se que na cabeça destes arquitectos não é claro que seja brasileiro.
Um arquitecto moderno nunca admite uma influência porque a arquitectura, para ele, é técnica, não é expressão plástica. Ao admitir uma influência, estaria a admitir a presença de uma artisticidade. Com excepção do Castro Rodrigues, no Lobito, é muito difícil encontrar um arquitecto que diga: “é brasileiro” ou é outra coisa qualquer. Temos que ter um certo cuidado. Por um lado, porque eles obviamente recebem as coisas muito mais difusas do que imaginamos. Cabe ao historiador tentar encontrar grandes linhas de enquadramento e, nesse sentido, a presença da forte cultura brasileira na cultura internacional, como potência que já prefiguravam ser e como potência do movimento e da arquitectura moderna que são, coloca os holofotes nela própria. Mas é muito mais difuso do que isso até porque, nos documentos da época, não é muito fácil encontrar, com algumas excepções, uma admissão desse brasileirismo. Agora, estão lá as palas, as grelhas, está lá o Lúcio Costa [pioneiro da arquitectura moderna no Brasil].
Portugal estaria mais aberto a elementos da arquitectura moderna se não tivesse vivido o período do Estado Novo?
Uma vez o Adriano Moreira, numa entrevista que lhe fiz, sintetizou isto muito bem. Não é que houvesse uma cartilha que dissesse “isto tem que ser assim” mas havia um certo sentido que um edifício de representação tinha que ter, uma certa solenidade. Não é nenhuma cartilha, mas é uma consciência. Quando eu falava com os arquitectos dizia: “Mas vocês os arquitectos eram tão modernos nos outros edifícios que faziam, tão modernos nas plantas, depois o que acontecia nos alçados?” Um deles disse-me: “Oh Ana, a fachada não interessa, o que interessa é que a planta funcione, que a ventilação cruzada se dê e que a fachada fique suficientemente protegida do sol e da chuva. É isto que é projectar para os trópicos. Agora, se ela tem lá mais uns elementos ou não, isso é secundário”.
Eu hoje acredito que não [que a ditadura não limitou a arquitectura moderna]: havia arquitectos do regime que eram modernos e arquitectos anti-regime que eram conservadores. Penso que, eventualmente a partir dos anos 50, o regime era muito tolerante em relação às manifestações cá, em Portugal continental e menos lá, ao contrário do que se diz. Os edifícios que saíam daqui para lá eram menos historicistas do que os que eram feitos cá, nos organismos públicos. É comparar o Liceu D. Leonor com o antigo Liceu D. Guiomar de Lencastre, hoje Liceu Rainha Mingas, em Luanda. É ver estes dois edifícios - um produzido em 58, o outro em 56 - e perceber como o de cá é menos esquema mas é mais envidraçado, e não tem determinados elementos que o de lá vai ter.
É muito difícil dizermos que Portugal poderia ser muito mais tolerante arquitectonicamente se não tivéssemos tido uma ditadura, o que nós podemos dizer é que para alguns arquitectos o moderno era um programa político, isso está inscrito no ADN da revista Arquitectura, a partir 47: “ser moderno é um discurso ideológico político por um Portugal mais progressista” e, portanto, um Portugal não ditatorial. O que não significa que não houvesse arquitectos mais simpatizantes do regime que não fossem igualmente modernos. Agora, se teríamos sido mais modernos se não houvesse ditadura, não sei, é muito difícil dizer o que é que a história poderia ser se tivéssemos outra coisa qualquer.
As técnicas e materiais utilizados na arquitectura moderna, que eram adaptáveis ao clima dos trópicos, ainda são aplicadas hoje?
As técnicas usadas nos edifícios oficiais, desenvolvidos pelos “homens do gabinete”, como eu lhes chamo, são técnicas correntes que ainda hoje se aplicam em toda a parte do mundo. Os outros edifícios eram mais experimentais, os edifícios dos arquitectos modernos, aqueles que são mais celebrados pela historiografia e mais difíceis de reproduzir.
O que é muito interessante notar, no caso africano, é que os edifícios modernos, como são mais experimentais são menos resistentes ao tempo. Uma das coisas que estes homens eram obrigados, nos gabinetes oficiais, era a trabalhar com materiais que tivessem uma certa resistência porque estes edifícios iam ter pouca manutenção. Tanto que hoje em dia, em Portugal e em qualquer sítio do mundo, é muito mais difícil recuperar um edifício moderno, do séc. XX, do que um edifício antigo construído no séc. XV. O edifício do séc. XV é pedra, tijolo, argamassa e pouco mais. O edifício moderno tem inclusivamente materiais industriais que já não existem disponíveis, porque já não são produzidos e é muito mais difícil mantê-los.
Mas é necessário, quando se constrói nesses territórios, ter sempre em conta o clima...
É evidente: o clima, a ventilação, a chuva, tudo isso eram princípios que eles aprendiam, a tal “arquitectura tropical”. Aliás, o Marcelo Caetano quando cria o Gabinete de Urbanização Colonial, em 1944, ele quer criar uma escola, um laboratório de arquitectura tropical, ele só não sabe exactamente o que será mas quer que haja um aprofundamento dessas técnicas arquitectónicas, para a construção ser mais eficaz.
Por exemplo, eles não podiam usar o ar condicionado porque não lhes interessava: existia mas não lhes interessava porque era muito caro manter, os próprios edifícios tinham que ser autónomos em relação a ventilação. Essas eram técnicas com as quais eles trabalhavam permanentemente na execução desses edifícios, quer se fizesse moderno quer se fizesse menos moderno: a ventilação, o ensombramento das fachadas, o desaproximar o edifício do solo, etc.
A nível arquitectónico, quais são as diferenças entre a “casa portuguesa” e a “casa portuguesa ultramarina”?
O que se pretendia com essas casas desenhadas para os colonos (homens, mulheres, famílias), que vinham do meio rural português e que iam para um meio rural africano era dar referências que elas reconhecessem. Como Mário de Oliveira dizia: “não se podia desenraizar as pessoas totalmente de tudo”. O que os arquitectos nos anos 50 procuram é transformar aquilo que eram características que eles achavam que eram da arquitectura popular portuguesa - reconhecíveis por essas pessoas e comunidades - em características dos trópicos, que servissem as questões do clima: ventilação, ensombramento, etc. O alpendre ficava maior, as ventilações eram feitas mas o essencial da casa mantinha-se: uma casa portuguesa que eles chamavam 'casa portuguesa ultramarina'.
Por exemplo, tudo o que é construído no Colonato da Cela [Angola], que é um empreendimento absolutamente incrível, para o Conene [também Angola] e para o Limpopo, em Moçambique, foram experiências de uma casa tradicional à portuguesa mas em que esses temas da portugalidade foram adaptados aos trópicos.
É criticável, porque é que eles não trabalhavam com temas africanos? Porque as populações eram europeias. Porque quando estes mesmos arquitectos vão trabalhar para os africanos vão tentar incorporar elementos da arquitectura tradicional africana. Isso é que nós não sabíamos e este trabalho prova que isso é verdade.
Como é feita essa adaptação à cultura africana?
A casa é um elemento civilizador e, eles sabiam, não se pode passar de uma cobata [casa tradicional africana] para o apartamento, tem que haver uma transição. E quando eles vão trabalhar com estas populações africanas, procuram compreender: fazem levantamentos sobre as várias casas africanas, os materiais, a organização da família. Como os arquitectos modernos trabalham com os valores da localidade, estes arquitectos do Estado Novo também têm essa preocupação, porque sabiam que não havia outra maneira de fazer, até porque era impossível produzir habitação para toda a população africana.
Eles tinham que, primeiro, mudar a planta, trabalhar com os sistemas construtivos que os africanos conheciam, para serem eles a construir em sistemas de auto-construção. Há alguns casos de empreendimentos para as populações africanas que são desenhados de raiz, mas depois acabam por não ser tantos quando se percebe que é impossível dar resposta a todas as necessidades.
Quais são essas características da casa tradicional africana que os arquitectos portugueses exploram?
Há uma frase de Mário de Oliveira, num artigo escrito em 1965, que penso que elucida a questão:"O urbanista de hoje, para ser autêntico, deve partir do princípio profundamente humano de que uma cidade não são apenas as casas, ruas, avenidas, praças, etc., antes a comunidade que nela vive e convive, com os seus diversos grupos, suas instituições, seu modo de viver, suas tradições e seus costumes."
O mais importante era respeitar a organização social e familiar do habitante africano - melhorar a casa tradicional através de alterações funcionais da planta. As técnicas e materiais construtivos deveriam ser os conhecidos pelos povos africanos de modo a que estes pudessem construir - em sistema de auto-construção - as suas habitações. Respeitavam-se ainda os lugares dos assentamentos populares por serem considerados os melhores face ao clima, ventos, etc.
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quinta-feira, 27 de dezembro de 2012
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